30 novembro 2020

E será que há amanhã ?

 Tenho mais do que mereço ? Não sei. Vivo nos limites de tudo, mas tenho sempre esperança no dia de amanhã. Mas será que há amanhã ?
Estive cerca de três meses em confinamento. Eram os meus filhos que me forneciam desde os alimentos aos produtos de limpeza. Ficavam à porta. Nem abraços ou beijinhos, sequer cotoveladas. Era tão somente receber a carga e as recomendações para os cuidados a praticar para evitar qualquer contaminação. Hoje, ando tropegamente, estou cada vez mais surdo e não tenho com quem falar e tenho que consultar um oftalmologista, visto que as lentes já dão para ler.
Cego,  surdo e mudo ? Tudo está a mudar. Como estarei e como serei quando isto acabar ?E será que há amnhã ?

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