22 maio 2026

O Fernando

 Lembro-me dele, aos 5  a 6 anos,  a trepar um poste de electricidade, em frente à nossa casa, com o nosso pai a incitá-lo, chamando-lhe de “major”. Era mais ágil do que qualquer símio. Ainda o acompanhei nos primeiros anos do liceu. 
Mais tarde empregou-se num banco onde com esforço, brio pessoal, honestidade e mérito chegou a gerente. Também foi um grande jogador de futebol. Jogava, dando o “litro” como se costuma dizer, apenas pelo prazer de jogar sem expectativa de qualquer recompensa. Por amor à camisola.
Somos 5 irmãos. E, já adultos, órfãos de pais, vivíamos todos juntos. Recordo as discussões à mesa sobre a “situação”. O Fernando fervia de raiva contra as injustiças e as descriminações daquela época.  E, quando acabámos a refeição, todos,  em uníssono, fazíamos a recomendação habitual: lá fora, bico calado; cuidado com os longos ouvidos da pide. 
Casado, tem três filhos, é um bom pai de família, avô e bisavô dedicado. O melhor de todos nós, religioso e pastor na sua igreja. 

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